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12 de abril de 2016

Escrevi Isto Num Sonho


Nós colorimos as nossas histórias
em pequenos cubículos;
entre o silêncio e o sumiço
fizemos destas memórias algo maior.

Cruzamos as esquinas infinitas
dos quarteirões aflitos
dos bairros-conflito
das cidades à meia-luz.

Ossos frios.
Sob a noite encrustada de estrelas
o meu quarto nunca pareceu tão vazio.
Da minha sacada eu ainda vejo você.

Você reaparece diante de mim. Holográfico e inconclusivo.
Eu tenho muitas perguntas. Por hora teu sorriso basta.
É muito juízo pra pouco juiz.
Quem te fez feliz quando eu fugi?

Eu me fiz rosa.
Na solidão de todos os meus espinhos.
não sei qual o melhor lugar para você me encontrar.
Me procure onde você não se sinta sozinho.

Colorimos a alvorada. Descendo uma escada verde.
Muito verde. Para lugar algum. Prum lugar comum.
Cambaleantes e ainda assim atordoados por um céu
cheio de estrelas, cheio de intenções.

A paixão que marca a pele não machuca quem já está
acostumando a sentir. Sem ti eu não sou só.
Mas sou só eu. E cê não faz ideia do breu em que eu fico
quando não te tenho por aqui. Senti saudades.

2 de maio de 2015

Nós Dois, Nós Três, Vocês Dois

Eu o vejo, neste período do tempo, solitário, gélido, silenciosamente histérico. Sentava-se nos cantos e vislumbrava janelas como quem vê o fantástico, ou pelo menos o imagina. Inicialmente era só ele, depois éramos nós dois, depois nós três, depois eles dois.
Eu não sei ao certo em que momento as coisas tornaram-se tão estranhas, quando começamos a nós perder, provavelmente não conseguiria identificar o momento, provavelmente não conseguiria dizer muita coisa sobre absolutamente nada, tenho uma percepção debilitada sobre as coisas, mas uma certeza tenho: Ele continua só.
Passo pela rua e os encontro, eles não me reconhecem mais, ou pelo menos ignoram a minha existência, não são um casal, são dois indivíduos competindo pelo controle do outro, talvez por isso preferiram um ao outro, são viciados em adrenalina, em conflitos, talvez a minha natureza não combine com os impulsos, com os imperialistas emocionais.
É triste reconhecer a perda, é triste ser quem sofre sozinho, mas términos acontecem, assim como começos.
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