19 de junho de 2015

Eu Bebo Para a Nossa Casa em Ruínas

Então, tenho lido bastante poesia, com um certo foco na russa. Não faço segredo sobre a admiração que tenho sobre escritores como Nabokov, sempre achei a cultura russa muito subestimada. Pesquisei bastante sobre Rússia (culturalmente), e numa dessas buscas me deparo com a escritora Anna Akhmatova (А́нна Андре́евна Горе́нко, para os íntimos).
Anna passou pelos horrores perseguição stalinista; apesar de nunca ter sido presa ou exilada teve dois de seus maridos executados e um de seus filhos preso por mai de dez anos.
Toda a dor, o sofrimento são refletidos claramente em sua poesia, aliás esse é um de seus maiores elogios, a linguagem clara e direta, a dor não é diluída em metáforas, é servida diretamente ao leitor.


O Último Brinde


Eu bebo para a nossa casa em ruínas.
Para a dor da minha vida.
Para a nossa solidão juntos.

E para você eu ergo meu copo.
Para lábios mentirosos que nos traíram.
Para olhos frígidos e impiedosos.

E para a  dura realidade; de que o mundo é brutal e grosseiro
Que Deus, na verdade, não nos salvou.
Anna Akhmatova

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