19 de junho de 2015

Aceite-se

Aceite-se. Orgulho não mata, salva. Que seja de uma vida falsa ou de um lar abusivo, cedo ou tarde ele salva. Mas o orgulho não salva por mágica, salva pela resiliência, a gente caí, se machuca, leva porrada, chora, mas permanecemos os mesmos, fortes e confiantes.
Aceite-se. Que seja pelo pouco de você que ainda acredita que as coisas podem ser melhores, que um dia você não estará mais no lugar onde te machucaram e que as feridas pararão de doer.
Aceite-se. Porque infelizmente a vida não é fácil, e quando a gente descobre assim, na flor da idade que o mundo é cruel e ríspido, aprende a lidar com ele mais cedo, consequentemente amadurece mais cedo. Daí por diante os sorrisos tornam-se menos frequente e a boca já se acostuma a sustentar o ar sisudo da vida adulta. Crescer dói, mas é uma dor necessária, uma picada de agulha no dia do exame de sangue, depois de um tempo a gente até esquece que cresceu. Dói, mas importa. A mente que não amadurece degenera.
Aceite-se. Salve a si mesmo de viver uma vida de mentira, porque infelizmente a gente só tem uma, e quando já se passaram trinta, quarenta ou até cinquenta anos não tem volta, daí por diante o jogo só progride até o game over, não tem cartucho que possa restaurar uma fase, não tem chefão com quem possamos lutar novamente. O jogo uma hora acaba e quem não se aceitou quando pôde não vai poder mais.

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