17 de junho de 2015

Seja Estranho!

Parece que a gente é resistente a ir contra a maré, principalmente nós, que somos diferentes, estranhos, não-convencionais (como preferirem chamar), tendemos a nos acomodar numa normatividade que simplesmente não funciona para nós. Apesar de ser difícil temos que aceitar: ser diferente implica em fazer as coisas e pensar sobre elas de um modo que funcione para você, e não como acham que devemos fazer/pensar.
São tantas doses de angústia enfiadas goela abaixo, às vezes sinto como se minha bexiga não fosse suportar. Eu sou irremediavelmente estranho, sinto-me socialmente estranho, gosto de coisas incomuns, sou parte de minorias, rotularam-me como estranho, deram-me uma identidade e alienaram-me de mim. Porém, em algum momento “estranho” começou a soar como um termo de empoderamento, sim, de repente ser estranho não era mais uma coisa tão ruim, será que um dia eu seria “normal”? Provavelmente não, mas naquele momento o normal havia se tornado mortalmente tedioso.
A gente começa a se aceitar quando percebe que as coisas não vão mudar, que infelizmente as pessoas são más e tentarão a todo custo pôr a baixo tudo o que fugir da norma ou que não os entretenha. A minha existência não é entretenimento (pelo menos não gratuito) para os rígidos olhos da plateia cruel, escolhi não oferecer a minha cara como Verônica nas revistas, mas não repudio quem o faz.
Em um mundo de silenciamentos, violência “corretiva” e perseguição, existir e ser visto como diferente/minoritário/estranho é um dos atos mais revolucionários possíveis.
Em tempos de internet a revolução ainda encontra o seu berço nas ruas, pode ser silenciosa, mas cresce exponencial e vigorosamente, cresce conosco, conforme nos tornamos as pessoas que precisamos ser, não as que desejávamos ser, porque o desejo é moldável, é pelo desejo que nos capturam e tentam nos fazer desistir de tudo, inclusive de nós mesmos.
Permaneça estranho, permaneça você. Originalidade, profundidade na existência é uma das coisas mais bonitas do mundo. Torne-se quem você precisa ser, leia livros, procure pessoas com quem se identifique, crie opiniões, se expanda para além das fronteiras do que lhe foi imposto, faça as coisas porque realmente acredita nelas, acredite em você, crie um novo “você” com quem se sinta confortável ou simplesmente deixe aquele que foi reprimido em seu íntimo ser livre.
Torne-se quem verdadeiramente é e abandone as convenções já consagradas, derrube o status quo, ou melhor, crie o seu próprio status quo e viva por ele, por suas regras e seus valores.
"Qual a maior "afronta" que você já fez?
Existir no mundo."


Nota - para os conhecedores de gírias e afins: não consegui pensar em algum termo que traduzisse o conceito de "shade" caso conheçam comentem abaixo, gostaria de saber. E se manjarem de inglês mas não souberem o significado cliquem aqui para assistir a uma definição bem... Didática.

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