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28 de dezembro de 2016

Correspondente


me mandou ainda ontem,
através de sonho, carta
ultragentil, com os seguintes
dizeres: "sou para ti o riso
frouxo e os beijos roubados
e o arco-íris que se agarra
às suas coxas nas tardes que
passa debruçado no batente
da varanda"

sorriso brando entre o vidro
e o sol na sombra do mais
sincero bem-querer

flores brancas no meu quintal
brotam de manjericões
esturricados pelo estar-aqui

há esperança nos dias de sol.

tempo parado debaixo
dos seus lençóis anos
atrás. vertiginoso sonho
de um coração que se
enforca ao buscar as
suas inatingíveis sombras;

muito distante das mãos
e de mim também. aquém
de meus excessos - mas
nunca dos seus - reacendo
agora a chama do tempo,
flutuando juntamente
às lesmas surfando
a grama do meu quintal

o sal dos dias é não esquecer.


7 de junho de 2016

Lixeira - Adriano Espínola


As cascas de ovo
& de banana
a folha de jornal
da semana
pedaços de couve
& de tomate 
a palavra que sal-
tou suja de chão 
o gesto que ficou 
pela metade
a história que não
houve:
tudo isso úmido
tudo isso ido
doídoamassado 
dentro de ti
e do saco de lixo.
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