2 de agosto de 2015

Considerações Dominicais: Me Desculpe, Mas Não Há Nada Que Possamos Fazer

Acordei às oito em ponto neste domingo de sol e nuvens cinzentas. Tive um sonho horrível, cujo eu não era protagonista, mas senti como se fosse. Se tratava de uma menina pobre que oferecia serviços sexuais à beira de um cais. Talvez em alguns momentos a garota fosse eu, a dor se assimilava, apesar de eu nunca ter me prostituído (pelo menos não que eu me lembre).
Um dia ela encontra um rapaz e literalmente o arrasta à sua barraca beira-mar. Era um lugar horrível, o qual ela dividia com o seu irmão mais novo, trabalhava enquanto o garoto estava na escola. O rapaz não queria estar ali, sentia a degradação da moça lhe machucar, o desespero lhe feria. Mas ela argumentava, dizia que tinha bons preços e que faria o que ele quisesse.
Antes que os dois pudessem continuar qualquer embate um velho conhecido da garota chega e a chama para uma “rapidinha” no carro. Ela sai dali; o garoto que foi arrastado queria conversar e até a chamou para uma festa, mas esta não ligava para festas, mas sim para o trabalho e seu irmão, suas duas únicas preocupações.
Eles foram até um local mais distante; o homem estacionou na lateral de um edifício residencial da orla; os vidros eram escuros, ninguém os flagraria. A partir daí as coisas ficam metafóricas demais e confusas demais, eu acho que de certa forma entendi o que o meu inconsciente queria fazer, quis falar de traumas e de tabus, os trouxe através de entretenimento.
Uma curiosidade aos que me acham criativo: Tudo que escrevo não passa de realidade camuflada. Às vezes a realidade dói demais para ser conversada, então busco na literatura um bálsamo.
Sei que no final do "serviço" ela se transforma uma sereia por alguns momentos, e depois volta a ser humana. Saí do carro acompanhada por um papagaio que descreve o cenário a sua volta em busca de perigo e duas caixas de presente falantes.
A cada trinta segundos o papagaio fala de algum lugar distante em que se esconde uma pessoa. As caixas não conversam muito; todos caminham com ela em direção a barraca, já é noite, eles seguem pela estrada principal.
Quando avistam a barraca, as caixas correm em direção ao irmão da garota, que cochilava recostado a entrada; ficou esperando-a desde quando chegou da escola. A garota acelera o passo, e o papagaio a acompanha. Quando chega lá encontra as duas caixas e os meninos aos prantos, ela pergunta a uma delas o porquê de chorarem.
- Nós choramos porque é muito triste estar aqui. É um lugar horrível para se viver, no meio da estrada, todos passam, você continua aqui, sozinha. É triste, nós queríamos poder te ajudar, mas há nada que possamos fazer. Por isso choramos. – Diz uma das caixas.
A garota se ajoelha, olha ao seu redor, as ruas estão vazias, a luz dos prédios gradualmente se apaga e o papagaio encara o chão do cais. Ela começa a chorar, e responde às caixas:
- Eu sei que é horrível. Eu quero muito mudar, mas é difícil. – Ela faz uma longa pausa e continua, aos prantos:
- Eu vou mudar.... Eu preciso.
Aí eu acordei e vim sobre esse sonho incomum, que de tão metafórico acho que serve perfeitamente para uma consideração dominical, sem tirar nem pôr. 


ps: este é o centésimo post do blog, passou tão rápido este a quem chamamos de Tempo, não é mesmo?

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