9 de junho de 2015

Rebobine

Eu rebobinaria os mais entediantes filmes
Só para poder te ver outra vez.
Só pra ver os teus olhos preencherem a tela
Envolvidos por estática.

Eu voltaria atrás e esqueceria do fim
Esqueceria de quem matou a mocinha
Ou de quem era o vilão
Apagaria da memória todos, menos você.

Eu rebobinaria nós dois
Primeiro eu, depois você
E voltaria para quando a gente começou
Naquele dia em que perdidos, nos encontramos...

Hoje eu só te vejo em VHS
Você permaneceu analógico
E as nossas fotos já desbotam
Como manchas de café na camisa de algodão.

Eu rebobinaria por ti as mais lindas histórias de amor
Não prestaria atenção nelas
Só pensaria em nós
E em todas as estações que se desmancharam sobre nossas cabeças

Rebobinaria milhares de filmes por você
Mas não devia
Porque o melhor de mim é o pior de mim
E aqueles bons momentos têm me aprisionado.

Sei que não deveria assistir aquele mesmo filme várias vezes
Ou ouvir o mesmo cd até ele arranhar
Sei que que não deveria
Mas não consigo resistir.

Por mais promissor que o futuro possa parecer
Ainda me lembro dos sorrisos que dei sem me preocupar
De quando as coisas eram mais lentas
E nós éramos modernos.

Obsolescência programada sentimental.
Não gosto do efêmero.
Romance fugaz pra mim só em livros.
Amor pra mim é concreto, sólido.

Por isso rebobino.
Volto ao tempo em que éramos sólidos
Tão duros que nem sabíamos o que havia em nossos íntimos.
Desconhecidos familiares em um mesmo ninho.

Rebobino para esquecer do meu medo de ficar só
Do futuro que cada vez parece mais incerto
Da minha mania de estragar tudo
Rebobino por que aí eu volto a ter você, mesmo que por poucos minutos.

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