13 de junho de 2015

Monólogos - Maya

Maya é uma personagem inspirada na lendária Maya Angelou. Após anos de solidão Maya se vê confrontada pela volta de um antigo amor. Ela sofre muito, porque sofre no presente e paralelamente volta a sofrer como no passado. Não há dúvidas, o amor dói, mas será que toda a dor valeria a pena?

Você diz que mudou, como? Quer voltar, mas não consegue pedir desculpas, não acha que errou e não consegue fingir. Diz que é sincero demais, fala o que deve, não o que quer. Pequenas doses de ilusão e falsas esperanças, são necessárias para o mantimento de um nível mínimo de sanidade. Priorizar a verdade à compaixão, aí está o erro, às vezes ilusões são necessárias, porque a verdade dói, e quem ama tem medo de machucar.

Por que você quer voltar? Será que finalmente encontrou alguém tão visceral quanto você? Espero que não, apesar de tudo não lhe desejo dor. Ainda te amo. Por te amar tanto não lhe suporto ao meu lado, me machucando.

Conforme a gente envelhece vai percebendo que amor é desapego e altruísmo, o amor possessivo, virulento, mata. Sabem porque o pássaro enjaulado canta? Porque ele quer ser salvo, por si mesmo, ou pelo outro precisa ser salvo. O canto faz ecoar um desejo que transcende as prisões físicas e o torna livre, mesmo que por um curto período. Amar é ser esse pássaro enjaulado. Amar é enjaular. Mas amar também é mútuo.

Estive enjaulada por tanto tempo que nem lembro mais de quando estive livre. Comumente era enjaulada enquanto o outro permanecia livre. A solidão tornou-se lugar comum.

Você não vai voltar para mim porque eu já não existo como cartucho de videogame que te permite voltar onde parou. Eu mal existo para você...E é assim que as coisas devem ficar, precisamos nos desassociar de uma vez.

Amar dói. A gente nunca para de amar, se é amor então dura para sempre. Na vida a gente morre duas vezes, a primeira é física, em que o corpo padece, e a segunda é emocional, quando perdemos um amor.

Eu sei porque o pássaro enjaulado canta. Eu canto porque quero me ver livre, do meu amor, e de mim mesma.

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