Crônicas: Uma breve explicação sobre o meu estilo
Esta postagem é apenas para avisar que começarei a postar algumas crônicas que tenho escrito. Minha paixão por escrever se deu através de poemas e crônicas, não sei se já falei aqui no blog, mas o meu poeta favorito é Drummond. Eu simplesmente idolatro quase todos os seus poemas, e pessoas como ele que me fizeram ter vontade de criar textos tão bonitos quando aqueles que lia, relia e me apaixonava.
Sobre minhas histórias e personagens, gosto de avisar o seguinte: sou apaixonado por anti-heróis, personagens atormentados, temáticas não-convencionais, sarcasmo e aqueles casos psicológicos bem clichê em que você acaba descobrindo que o assassino era a velhinha solitária do outro lado da rua.
Certa vez mostrei uma crônica sobre uma prostituta e um jornalista decadente (que por sinal foi a primeira que escrevi) a uma professora de literatura, ela leu, olhou para mim e sorriu falando "está muito bom", mas eu sentia que era um sorriso desconfortável não pela qualidade do texto, mas pelo peso das palavras, pela atmosfera criada na história que desloca os leitores desacostumados a este tipo de material, afinal eu tendo aos exageros, transito entre finais utópicos que variam de extremamente otimistas a pessimistas.
Desde de então não me esforcei para alcançar equilíbrio entre os comportamentos, muito pelo contrário, continuei escrevendo espontaneamente, me baseava em amigos, pessoas que não gostava, pessoas que me causaram dor, pessoas que amava e muitas vezes misturava um pouco de todas elas em uma só personagem, por isso falo do meu gosto por anti-heróis, eu não crio personagens para serem amados ou odiados pelos leitores, para mim os personagens se comportam da mesma forma que nós, não são 100% bons ou maus, não têm destinos previsíveis, mas obviamente alguns terão comportamentos mais agressivos ou inescrupulosos do que outros.
As crônicas postadas aqui no blog serão baseadas em temas que me interesso muito, tentarei discutir através destas curtas histórias, temáticas importantíssimas que acabam sendo irrelevantes no dia-a-dia de muitos. Não vou falar os temas que tenho pensado porque quero que sejam uma surpresa (espero que agradável).
Não sei ao certo quando começarei a postar, mas não deve demorar muito.
Não sei ao certo quando começarei a postar, mas não deve demorar muito.
Encerro este post com o meu poema favorito de Drummond.
Apelo a meus Dessemelhantes em Favor da Paz
"Ah, não me tragam originais
para ler, para corrigir, para louvar
sobretudo, para louvar.
Não sou leitor do mundo nem espelho
de figuras que amam refletir-se
no outro à falta de retrato interior.
Sou o Velho Cansado
que adora o seu cansaço e não o quer
submisso ao vão comércio da palavra.
Poupem-me, por favor ou por desprezo,
se não querem poupar-me por amor.
Não leio mais, não posso, que este tempo
a mim distribuído
cai do ramo e azuleja o chão varrido,
chão tão limpo de ambição
que minha só leitura é ler o chão.
Nem sequer li os textos das pirâmides
os textos dos sarcófagos,
estou atrasadíssimo nos gregos,
não conheço os Anais de Assurbanipal,
como é que vou -
mancebos,
senhoritas,
-chegar à poesia de vanguarda
e às glórias do 2.000, que telefonam?
Passam gênios talvez entre as acácias,
sinto estátuas futuras se moldando
sem precisão de mim
que quando jovem (fui-o a.C., believe or not)
nunca pulei muro de jardim
para exigir do morador tranqüilo
a canonização do meu estilo.
Sirvam-se de exonerar este macróbio
do penoso exercício literário.
Não exijam prefácios e posfácios
ao ancião que mais fala quando cala.
Brotos de coxa flava e verso manco,
poetas de barba-colar e velutínea
calça puída, verde: tá!
Outoniços, crepusculinos, matronas, contumazes:
tá!
O senhor saiu. Hora que volta? Nunca.
Nunca de corvo, nunca de São-Nunca.
Saiu pra não voltar.
Tudo esqueceu: responder
cartas; sorrir
cumplicemente; agradecer
dedicatórias; retribuir
boas-festas; ir ao coquetel e à noite
de autógrafos-com-pastorinhas.
Ficou assim: o cacto de Manuel
é uma suavidade perto dele.
Respeitem a fera. Triste, sem presas, é fera.
Na jaula do mundo passeia a pata aplastante,
cuidado com ela!
Vocês, garotos de colégio, não perguntem ao poeta
quando ele nasceu.
Ele não nasceu.
Não vai nascer mais.
Desistiu de nascer quando viu que o esperavam garotos de colégio de lápis em punho
com professores na retaguarda comandando: Cacem o urso-polar,
tragam-no vivo para fazer uma conferência.
Repórteres de vespertinos, não tentem entrevistá-lo.
Não lhe, não me peçam opinião
que é impublicável qualquer que seja o fato do dia
e contraditória e louca antes de formulada.
Fotógrafos: não adianta
pedir pose junto ao oratório de Cocais
nem folheando o álbum de Portinari
nem tomando banho de chuveiro.
Sou contra Niepce, Daguerre, contra principalmente minha imagem.
Não quero oferecer minha cara como verônica nas revistas.
Quero a paz das estepes
a paz dos descampados
a paz do Pico de Itabira quando havia Pico de Itabira
a paz de cima das Agulhas Negras
a paz de muito abaixo da mina mais funda e esboroada
de Morro Velho
a paz
da
paz"
- Carlos Drummond de Andrade


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