Mostrando postagens com marcador Transcendência. Mostrar todas as postagens

10 de setembro de 2015

O Corpo é Uma Fera Grande


Ginsberg dizia que o corpo é uma fera grande, para mim vai além disso – o corpo é uma máquina de guerra. E nós, nas corridas armamentistas da vida que chamamos de adolescência, enchemos o peito para bradar aos quatro cantos que somos senhores de nós mesmos – pura ilusão, nós nos convencemos sobre uma dominância aparente.
Movimento, sacudidas, remelexo – partes de uma dança estão intimamente ligadas ao processo de sedução; os pavões que competem por atenção dançando no centro da sala são cegos, acinzentados, mas acreditam ser coloridos como lhes foi descrito – A dança é a concepção do indivíduo sobre o próprio corpo, as danças estranhas pertencem aos corpos estranhos, as danças bonitas, aos corpos bonitos; o que é bonito e o que é estranho?
Mãos abaixo do colo, andar apressado, braços cruzados às duas da tarde, olhares perdidos no chão da biblioteca, o corpo fala tanto que é mudo.
Tem dois metros, pernas curtas, mãos pequenas, olhos puxados, lábios grossos, braços longos. Quem é? Não sei. Tem interesse? Não sei. O que é essa lista? É isto que forma o famigerado corpo? Sim. E são as coisas desta lista que nos formam? Não. Por incrível que pareça a gente é mais do que o corpo - alguns são quase somente corpo mesmo, acontece.
Como se conhecer por completo? Não dá. Como se conhecer bem? Vivendo, ué. É impressionante como a gente aprende tanto sobre nós com outras pessoas, não tem mais introvertidos no século XXI, a gente não tem mais tempo para a tal da timidez. São muitas coisas para dar conta numa só vida, nós é que lidemos conosco e com os conoscos da gente, não é fácil.
Não é fácil dançar numa batida diferente na mesma pista de dança que todo mundo, você percebe que não está sincronizado, e isto não lhe incomoda verdadeiramente, o que lhe incomoda são as pessoas lhe dizendo o quanto você está errado em dançar no seu próprio ritmo. Seja errado. Dance para o que lhe convém, e não para o que deveria. Descubra-se e explore as suas particularidades a seu favor. O Corpo é uma fera, dome-se.

1 de agosto de 2015

O que Satisfaz a Alma é Verdade


A gente acorda cedo e pensa nas coisas. O sol demora para nascer, a coloração rósea do céu dá voz ao desejo e transborda tudo aquilo que nos esforçamos para ocultar ao longo do dia.
Eu desejo não desejar. Pela manhã estou sozinho, e é assim que gostaria de permanecer, mas não posso. Não posso porque me atraem os debates e os debatedores (principalmente os debatedores), as polêmicas, os sentimentos exaltados, tudo o que faz do exercício da humanidade complexo me atrai.
Talvez por isso eu me acostumei a sofrer. Para entender o outro é preciso que nos entendamos primeiro, como fazê-lo? Não sei, não há uma receita, nem mesmo sei se me entendo direito, vivo há pouco tempo para ser completo senhor de mim, mas acredito já dominar boa parte.
Eu grito para mim mesmo quem eu quero ser, não adianta, a minha surdez não impede a minha alma de colidir com as imposições do físico. A minha alma é um tanque de guerra, grandiosa e inexorável, por mais violentada e agredida que possa ser, permanece avançando. Movido por um espírito surpreendentemente resiliente eu avanço e raramente volto atrás.
O espírito é, mais do que nunca, verdadeiro no desejo de seguir em frente, de nunca ser parado. A locomotiva da alma raramente faz concessões. Para que censurá-la com os míseros limites do físico?
Às vezes é preciso sair para encontrar o que se tanto procura. Ficar só, não ter um destino fixo ou um ponto de retorno, em meio a este caos é comum encontrar a estabilidade, ainda que para o outro a sua definição de estabilidade seja o caos. Viajar é preciso, alimentar a alma, sair de nós; cortar raízes, flutuar para além do invólucro do preconceitos e construir um você a partir da vastidão explorada. 
 Precisamos mudar quando a alma sente fome, de gente nova, de lugares novos. Quando a alma quer engolir o mundo a gente muda, viaja, some ou reaparece.
Tecnologia do Blogger.

Seguimores