3 de agosto de 2015

Todas as Cartas de Amor São Ridículas

Hoje foi um dia cheio. Eu cheguei em casa e resolvi limpar arquivos e dados inúteis do computador (limpei isto, ao menos). Quando abri o navegador me deparo com um favorito antigo, um poema, que até tinha esquecido de quando li pela primeira vez.
Confesso que é um dos que mais gosto no que diz respeito às relações; foi escrito por Fernando Pessoa em 1890 e ainda assim mostra-se surpreendentemente atemporal tendo em vista que substituindo "cartas de amor" por "tweets", "snaps" e mensagens de whatsapp lembramos logo daquelas bobeiras que falamos quando gostamos ou pensamos gostar de alguém, é inevitável.
Pela inevitabilidade das mensagens de amor resolvi compartilhar este lindo poema, para que gastemos o resto desta segunda-feira refletindo levemente sobre o ridículo da vida: o amor.

Todas as Cartas de Amor São Ridículas 

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

 

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