Monólogos - Eva Perón
Escrevi, ao longo desta semana, este monólogo de uma mulher trans. Eva Perón fala a uma multidão sobre o que é ser transexual, existir sem armários e com grupos minoritários que, massivamente, a discriminam. Eva, não parece com Angelina Jolie, Gisele Bündchen ou Cara Delevingne; não atende aos impossíveis padrões de beleza da mídia, ainda que seja estonteantemente bela. E se sente mal, afinal quando se é uma mulher trans a carga da passabilidade cis (parecer com mulheres cisgênero) é quase que insuportável. Perón é uma mulher trans brilhante, e se orgulha disso.
Eu me chamo Eva Perón, sou uma mulher trans, e futura geógrafa. Ao contrário do que muitos de vocês poderiam pensar, eu não estou, diferentemente de muitas das minhas irmãs trans, me prostituindo por aí.
“Mas o que eu tenho a ver com isso? ”, vocês se perguntam; bem, talvez nada, mas muito provavelmente tudo.
Eu sou quem sou o tempo inteiro, não existe armário que esconda a minha identidade porque as minhas roupas fazem parte de mim, nem toda mulher trans precisa disso, mas eu preciso, e não posso me esconder. Não posso colocar uma camisa polo e deixar que meus familiares digam “é só uma fase”, porque não é. Eu sou inevitavelmente quem eu sou, e nada mudará isso.
Eu dou a minha cara a tapa todos os dias. É muito fácil ser gay apenas dentro do ciclo de amigos, ou na rua de casa, ou ser lésbica apenas em festas; estes retornam com uma falsa satisfação às suas casas. Constroem um modelo em que a homossexualidade existe apenas quando convêm, no mais são mocinhas e rapazes conforme prega a norma.
São estes mesmo rapazes, os gays efêmeros, que me atacam na rua. São as lésbicas da madrugada que me expulsam de banheiros e me chama de aberração. E vocês ainda se perguntam o que tem a ver com a minha história? Definitivamente tudo.
Não existo para lhe entreter em programas humorísticos de quinta categoria ou para ser anomalia social em vespertinos. Eu não tô aqui para ser julgada por você, gay ou lésbica ou bi enquanto invasora da tua praia. Eu sou o T maiúsculo e em negrito de LGBT, estejam lembrados disso.
Você tem tudo a ver com o que eu passo. Porque no final do dia você senta em casa para assistir o jornal e concorda com o seu familiar retrógrado e conservador quando ele diz que até aceita veado, mas veado vestido de mulher jamais; você, no auge de sua hipocrisia e desespero por aprovação, concorda silenciosamente, e, indiretamente, agride mais uma travesti ou transexual. O teu caminho faz com que eu me perca no mundo e seja atraída quase que magneticamente para a marginalização. Agora me diz, como você não tem a ver comigo?
“Mas o que eu tenho a ver com isso? ”, vocês se perguntam; bem, talvez nada, mas muito provavelmente tudo.
Eu sou quem sou o tempo inteiro, não existe armário que esconda a minha identidade porque as minhas roupas fazem parte de mim, nem toda mulher trans precisa disso, mas eu preciso, e não posso me esconder. Não posso colocar uma camisa polo e deixar que meus familiares digam “é só uma fase”, porque não é. Eu sou inevitavelmente quem eu sou, e nada mudará isso.
Eu dou a minha cara a tapa todos os dias. É muito fácil ser gay apenas dentro do ciclo de amigos, ou na rua de casa, ou ser lésbica apenas em festas; estes retornam com uma falsa satisfação às suas casas. Constroem um modelo em que a homossexualidade existe apenas quando convêm, no mais são mocinhas e rapazes conforme prega a norma.
São estes mesmo rapazes, os gays efêmeros, que me atacam na rua. São as lésbicas da madrugada que me expulsam de banheiros e me chama de aberração. E vocês ainda se perguntam o que tem a ver com a minha história? Definitivamente tudo.
Não existo para lhe entreter em programas humorísticos de quinta categoria ou para ser anomalia social em vespertinos. Eu não tô aqui para ser julgada por você, gay ou lésbica ou bi enquanto invasora da tua praia. Eu sou o T maiúsculo e em negrito de LGBT, estejam lembrados disso.
Você tem tudo a ver com o que eu passo. Porque no final do dia você senta em casa para assistir o jornal e concorda com o seu familiar retrógrado e conservador quando ele diz que até aceita veado, mas veado vestido de mulher jamais; você, no auge de sua hipocrisia e desespero por aprovação, concorda silenciosamente, e, indiretamente, agride mais uma travesti ou transexual. O teu caminho faz com que eu me perca no mundo e seja atraída quase que magneticamente para a marginalização. Agora me diz, como você não tem a ver comigo?


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