Reflexões de Elevador
Falando em paixões: por que continuamos a nos apaixonar pelos mesmos tipos? É um dos ciclos mais viciosos da terra: identificamos padrões de comportamentos em quem nos apaixonamos e ignoramos as suas repetições. "Ele vai mudar" ou "Comigo às coisas serão diferentes" são coisas que já repeti inúmeras vezes para mim. Não mudaram, alguns até pioraram. Eu também mudei, inúmeras vezes. Talvez por isso não os culpe, porque somos, intimamente, iguais.
Uma coisa curiosa sobre nós, seres humanos: Já perceberam como tendemos a fingir que não somos nem um pouco parecidos com quem nos magoa? Nós, por mais benevolentes que possamos ser, somos cruéis. Em diferentes níveis e formas, mas ainda assim cruéis.
Os moribundos sabem como machucar uns aos outros, conhecem o corpo das memórias, a fisiologia do trauma; sabem onde tocar para provocar dor. Somos mais de sete bilhões de pessoas, é certo que para cada pequeno tirano existe alguém proporcionalmente cruel. O que acontece quando maldades similares se unem através de um relacionamento? Lhes digo por experiência: Alguém cede; e perder, principalmente no campo emocional, dói. Certa vez, em certa relação, cedi bastante, cedi tanto que desaprendi a me opor. Um dia eu desapareci, ele também; sumimos separadamente.
Antes que pensem mal: não sou daqueles que questionam apenas para serem opositores, eu debato o que é necessário: por que você pode fazer tal coisa mas quando eu faço você fica bravo? Não sou emocionalmente subserviente, me recuso a aceitar, passivamente, normas de relacionamento outorgadas. Não tenho problemas com possessivos ou controladores contanto que possamos dialogar, os que realmente me tiram do sério são os autoritários.
Apaixonar-se é entrar num elevador e fazer uma escolha: sentir desconforto e angústia até chegar no andar de destino ou aprender a sentir-se confortável na presença de quem entrou no elevador contigo.


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