24 de agosto de 2015

Considerações Dominicais: O Maquinário do Mundo


Quando eu era pequeno, me aterrorizava com a ideia da complexidade do mundo que era plantada em minha mente por engravatados e apressadas. Diferentemente das outras crianças, não tinha um desejo por envelhecer, pelo contrário, queria permanecer para sempre na crisálida da infância.
Eu cresci, mas não me tornei um engravatado; não gasto o meu tempo aterrorizando crianças sobre o mundo, porque não sou do tipo que gosta de estragar o filme antes que ele comece, e também por não achar o mundo complicado; o mundo é simples, viver é simples, nós é que somos complicados.
O ser humano torna o mundo complexo por osmose, pega a sua simplicidade e a disseca, reorganiza e tenta retorná-la ao seu estado original, sabendo que a perde. Somos naturalmente impulsivos, destruímos e logo em seguida nos arrependemos. O ser humano é, terminalmente, superestimado; acredita que conseguirá dominar a natureza, tenta subverter o status quo e depois sofre por isso. Ser consciente é arrepender-se e aprender a lidar com isso.
À criança que tentaram destruir com realismo e crimes da terra, entregaram doces para que pudesse camuflar o amargo da vida adulta. Não conseguiram, alguns, como eu, tem a amargura de berço, nem sempre a sentem, mas ela está lá, e é mais sensível do que o próprio indivíduo. Como lidar com emoções que transcendem a si mesmo?
Viver e descansar. Precisamos dar um tempo de nós mesmos e, consequentemente, de nossas neuroses. Às vezes parece que ao atingir a era das máquinas nos transformamos nelas, trabalhamos incessantemente e sentimos a agonia do urbano, dos longos engarrafamentos, dos sensacionalismos, dos extremistas, da fumaça na janela às cinco da manhã. Sim, somos o maquinário do mundo industrial, e nos arrependemos disso.
Chorar lágrimas ferruginosas sobre o concreto frio não te levará de volta à piscina de bolinhas em 1997. Algumas coisas não voltam: lide com isso. Viver não é somente fazer exercícios, comer cenouras e beber água, viver é aprender a lidar com as coisas, com as pessoas e principalmente com nós mesmos. 
Viver é ser sensato o suficiente para saber quando dar uma pausa de si.

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