14 de julho de 2015

Ventríloquos

Um dia você vai acordar e perceber que o tempo de ventríloquos ainda não chegou. Ainda temos que sentir, pensar, falar por conta própria; ainda somos humanos, humanidade dói. 
Mais do que nunca a prosa precisa ser pessimista; realismo não mais satisfaz todos os caminhos que a vida pode tomar, quando as piores possibilidades começam a se tornar a realidade a gente aprende a transformar o realismo em pessimismo para poder maximizar o prazer das coisas boas e relativizar as ruins.
Faz muito tempo que eu não choro, acho que quando comecei a escrever desaprendi a chorar. Os meus textos equivalem a dias de lágrimas, mas não queria que as coisas fossem assim, eu sinto falta do choro e sinto que tem uma hora que precisamos desabar para que as coisas fiquem melhores; quando substituímos lágrimas por qualquer outra coisa é como se vivêssemos constantemente num estado limítrofe, não é nada saudável, não recomendo, o choro ainda é necessário.
Hoje me decepcionei bastante com tudo, principalmente com as pessoas. Apesar de tentar ser sempre pessimista ainda me decepciono frequentemente.
O tempo ainda não é de ventríloquos. É triste, mas não é.

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