Ventríloquos
Um dia você vai acordar e perceber que o tempo de ventríloquos
ainda não chegou. Ainda temos que sentir, pensar, falar por conta própria;
ainda somos humanos, humanidade dói.
Mais do que nunca a prosa precisa ser pessimista; realismo
não mais satisfaz todos os caminhos que a vida pode tomar, quando as piores
possibilidades começam a se tornar a realidade a gente aprende a transformar o
realismo em pessimismo para poder maximizar o prazer das coisas boas e
relativizar as ruins.
Faz muito tempo que eu não choro, acho que quando comecei a
escrever desaprendi a chorar. Os meus textos equivalem a dias de lágrimas, mas
não queria que as coisas fossem assim, eu sinto falta do choro e sinto que tem
uma hora que precisamos desabar para que as coisas fiquem melhores; quando substituímos
lágrimas por qualquer outra coisa é como se vivêssemos constantemente num
estado limítrofe, não é nada saudável, não recomendo, o choro ainda é
necessário.
Hoje me decepcionei bastante com tudo, principalmente com as
pessoas. Apesar de tentar ser sempre pessimista ainda me decepciono
frequentemente.
O tempo ainda não é de ventríloquos. É triste, mas não é.


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