14 de julho de 2015

vena amoris


Hoje todos os caminhos levam ao coração. Pode parecer nome de novela com baixa audiência, mas é um fato. Na esquina da padaria com a loja de colchões, na viela atrás da escola, nos azulejos dos anos oitenta da sala de espera que encaro durante meus devaneios. Onde menos esperava encontrei o coração - não é plural, nem desconhecido, mas é negligenciado e aflito, afinal é o meu coração.

O encontro era inevitável. Hoje, mais cedo, o passado me telefonou e disse que sentia saudades, fui inundado por dúvidas. Este passado, diferentemente dos demais que costumo relatar não terminou de forma trágica, na verdade nem chegou a terminar, um dia acabamos interrompidos, e hoje ele volta sentindo saudades. Fui caçado pelo meu coração que exigia chegar a um consenso comigo, eu não queria responder, tentei permanecer escondido, mas ele me achou.

Falhei; fui descoberto, capturado e arrastado para a realidade:

- O que nós faremos agora, Pedro?

- Eu não sei, coração, acho que devemos decretar solidão a dois.

- E eu acho que você é extremo demais, sempre foi assim, nos apaixonamos e ficamos extremos.

- Paixão dói, coração.

- Solidão também.

- Devemos tentar?

- Sim.

- Será que eu não vou sofrer de novo?

- Talvez. Mas não é uma questão de sofrer ou não, mas de tentar.

Decidimos dizer sim às possibilidades, naquele momento uma decisão teria que brotar. Brotou.

Decidimos dizer sim às possibilidades, ao futuro que precisa retroceder para avançar; estamos tentando, mais do que nunca, correr para um futuro melhor. Hoje todos os caminhos nos levaram a este cenário, não poderíamos fugir, e nem gostaríamos.

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