vena amoris
Hoje todos os caminhos levam ao coração. Pode parecer nome
de novela com baixa audiência, mas é um fato. Na esquina da padaria com a loja
de colchões, na viela atrás da escola, nos azulejos dos anos oitenta da sala de
espera que encaro durante meus devaneios. Onde menos esperava encontrei o coração
- não é plural, nem desconhecido, mas é negligenciado e aflito, afinal é o meu
coração.
O encontro era inevitável. Hoje, mais cedo, o passado me
telefonou e disse que sentia saudades, fui inundado por dúvidas. Este passado,
diferentemente dos demais que costumo relatar não terminou de forma trágica, na
verdade nem chegou a terminar, um dia acabamos interrompidos, e hoje ele volta
sentindo saudades. Fui caçado pelo meu coração que exigia chegar a um consenso comigo,
eu não queria responder, tentei permanecer escondido, mas ele me achou.
Falhei; fui descoberto, capturado e arrastado para a
realidade:
- O que nós faremos agora, Pedro?
- Eu não sei, coração, acho que devemos decretar solidão a
dois.
- E eu acho que você é extremo demais, sempre foi assim, nos
apaixonamos e ficamos extremos.
- Paixão dói, coração.
- Solidão também.
- Devemos tentar?
- Sim.
- Será que eu não vou sofrer de novo?
- Talvez. Mas não é uma questão de sofrer ou não, mas de tentar.
Decidimos dizer sim às possibilidades, naquele momento uma
decisão teria que brotar. Brotou.
Decidimos dizer sim às possibilidades, ao futuro que precisa
retroceder para avançar; estamos tentando, mais do que nunca, correr para um
futuro melhor. Hoje todos os caminhos nos levaram a este cenário, não
poderíamos fugir, e nem gostaríamos.


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