6 de julho de 2015

Relembrar é Sofrer

Eu tenho envelhecido, é difícil de aceitar, mas tenho. Por detrás dos cremes, das tinturas de cabelo e das cirurgias plásticas eu ainda estou aqui, e estou velha.
Porque infelizmente a beleza é poente, o vigor da juventude acaba tão rapidamente; um dia sinto calor demais, no outro descubro que o calor anuncia a menopausa. Quando jovem, me reunia com os meninos e dava mergulhos no cais ao sul da cidade, hoje faço reposição hormonal; as soluções mudaram, o calor não.
Os homens da minha vida foram embora, porque apesar de tudo, para eles eu não era a mulher de suas vidas, mas sim uma qualquer. Hoje sou uma velha qualquer e amarga.
Quando se tem uma juventude bela a velhice é feia. Vejo as fotos do passado enquanto saboreio mingau com pílulas, tenho cápsulas para tudo, menos para esquecer. Nos dias de hoje o que mais me machuca é a memória.
Quero voltar ao passado e ser todas as mulheres que eu poderia ter sido, todas menos eu. Me preocupei demais com os outros, amei a todos, menos a mim. O meu amor foi cianeto garganta abaixo; a minha garganta, o meu cianeto.

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