17 de julho de 2015

Cheia de si - Implodiu


Você começa a perceber que a sua rebeldia não te torna mais tão legal. Você nada contra a maré, mas ninguém tem olhos para você, todos estão ocupados demais vendo algum pinguim morto à beira da praia, duas mortes: a do pinguim e a sua, afinal sem a devida atenção você não vive.

Ninguém mais liga para você, a sua rebeldia e os seus meios de praticá-la são tão previsíveis que decidimos chamar de rotina e te esquecemos num canto, talvez por isso se ressinta, não sei, quando se trata de você nós nunca temos certeza de nada.

Eu sei que você acredita ser genial, revolucionária, portadora de um frescor criativo, mas não deveria. Eu tive que ser realista. Tive que lhe mostrar que as coisas não são tão boas quanto você pensa. Se dependesse de mim teria sido mais doce na fala, mas o discurso não foi meu; naquele momento a minha voz foi o eco do mundo, talvez por isso você se ressinta de mim, porque eu fui o portador das más notícias.

Os garotos que você acredita estarem aos seus pés: metade deles não sabe o seu nome e a outra já tem namoradas (sem contar os que tem namorados). Você não tem se saído tão bem nos testes, mas ainda assim se diz a melhor de todas, eu lhe provo o contrário.

Neste momento você me odeia e me ataca com confissões de fim de dia: “Você não consegue namorar ninguém, todos foram embora, todos te deixaram, você não tem sido nada além de um caso por uma noite”. Ela não mente, é tudo verdade, mas quem é verdadeiramente solitária é a própria agressora – sedenta por atenção, hoje rasteja nos vestígios de quem já foi e daqueles que lhe emprestaram luz para que esta pudesse refletir.

Ela é um sol poente que me entristece demais. No geral gosto de pores do sol, mas esse me entristece profundamente.

Você chegou aqui cedo demais. Aqui nós esmagamos aqueles que nos necessitam; pulverizamos sonhos e obliteramos corações. Você deveria ter pego o próximo ônibus ou parado para tomar um sorvete, tudo para que não chegasse a tempo de não nos conhecer, mas chegou.

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