Cheia de si - Implodiu
Você começa a perceber que a sua rebeldia não te torna mais
tão legal. Você nada contra a maré, mas ninguém tem olhos para você, todos
estão ocupados demais vendo algum pinguim morto à beira da praia, duas mortes:
a do pinguim e a sua, afinal sem a devida atenção você não vive.
Ninguém mais liga para você, a sua rebeldia e os seus meios
de praticá-la são tão previsíveis que decidimos chamar de rotina e te
esquecemos num canto, talvez por isso se ressinta, não sei, quando se trata de
você nós nunca temos certeza de nada.
Eu sei que você acredita ser genial, revolucionária,
portadora de um frescor criativo, mas não deveria. Eu tive que ser realista.
Tive que lhe mostrar que as coisas não são tão boas quanto você pensa. Se
dependesse de mim teria sido mais doce na fala, mas o discurso não foi meu;
naquele momento a minha voz foi o eco do mundo, talvez por isso você se
ressinta de mim, porque eu fui o portador das más notícias.
Os garotos que você acredita estarem aos seus pés: metade
deles não sabe o seu nome e a outra já tem namoradas (sem contar os que tem
namorados). Você não tem se saído tão bem nos testes, mas ainda assim se diz a
melhor de todas, eu lhe provo o contrário.
Neste momento você me odeia e me ataca com confissões de fim
de dia: “Você não consegue namorar ninguém, todos foram embora, todos te
deixaram, você não tem sido nada além de um caso por uma noite”. Ela não mente,
é tudo verdade, mas quem é verdadeiramente solitária é a própria agressora –
sedenta por atenção, hoje rasteja nos vestígios de quem já foi e daqueles que
lhe emprestaram luz para que esta pudesse refletir.
Ela é um sol poente que me entristece demais. No geral gosto
de pores do sol, mas esse me entristece profundamente.
Você chegou aqui cedo demais. Aqui nós esmagamos aqueles que
nos necessitam; pulverizamos sonhos e obliteramos corações. Você deveria ter pego
o próximo ônibus ou parado para tomar um sorvete, tudo para que não chegasse a
tempo de não nos conhecer, mas chegou.


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