Diálogos - Mariana
Naquele dia eu e Mariana (pseud.) sentamos debaixo de uma árvore e começamos a conversar, o tempo voou. Começamos a indagar sobre o futuro e compartilhamos o medo de que as coisas continuassem assim...Bem, pelo menos eu tenho muito medo de que as coisas continuem assim, talvez ela esteja melhor do que eu ou seja uma grandiosa atriz... Não sei, só sei que a conversa rendeu, como sempre.
- Pedro, será que algum dia eu vou encontrar alguém?
- Provavelmente...
- É que eu ando tão cansada, sabe? Eu me sinto tão sozinha...
- Eu também me sinto só.
- Mas você é diferente...
- Por que?
- Você tem uma coisa estranha com as pessoas...Não sei porque, mas é cativante.
- Eu tenho tentado tanto melhorar, acho que você me estimula, Mariana.
- Eu? Como?
- Lembra quando a gente se falou pela primeira vez? Se eu não tivesse insistido a gente nunca teria se tornado amigo.
- Verdade, você praticamente me perseguiu.
- Mas é que eu me identifiquei. Você parecia tão introvertida quanto eu, e já te falei que adoro gente estranha.
- Você tá me chamando de estranha, é?
- Tô, mas para mim ser estranho é motivo de orgulho.
- Por que?
- Porque é revigorante encontrar alguém diferente, esse pessoal que copia os outros ou que segue todas as tendências a rigor nunca me interessou. Eu gosto de quem desafia o status quo.
- Você é muito rebelde, muito específico, por isso está só.
- E você, por que está só?
- Talvez todos me vejam tão estranha quanto você me vê ou pior: quanto você é. Vai ver por isso estou só...
- Você é muito cruel.
- Eu não sou cruel...Eu sou realista, é diferente.
- Você chama de realidade tudo o que lhe convém, o que não consegue aceitar vira fantasia.
- Você só fala isso porque é fantasioso demais. Por isso sofre, você espera demais das pessoas e das situações.
- Eu não espero demais...Eu só espero o mínimo para ser feliz...
- E qual é o seu mínimo?
- Depende...
- Do que?
- Da pessoa, talvez ela esteja mais perto do que eu quero...
- Ai, Pedro...Você nunca aprende, não é mesmo?
- Aprendo o que?
- A diferença. O enorme abismo que existe entre o que a gente sonha e o que realmente existe. É triste, mas é verdade.
- Mas, eu sei...Sei que existe alguém que vai me fazer feliz...Você também deveria acreditar...
- Eu sei que deveria, mas é tão difícil...
Nós dois encaramos o horizonte. Os outros passam e nós permanecemos ali, mesmo que por alguns instantes pudemos ver um futuro melhor, brilhante e esperançoso, ainda que encoberto por nossos olhos marejados.
recomendo que ouçam essa música, sinto que combina com este diálogo...
xxxoo


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