Ser, Não Ser ou Ser (Só um Pouquinho)?
Eu tenho pensado muito em introversão e tenho tentado durante toda a semana escrever algo a respeito. O texto a seguir talvez seja difícil de se assimilar não por ser complexo, mas por descrever sensações, pensamentos que são comuns aos, introvertidos e em muitos casos aos ambivertidos, que segundo a psicologia moderna são aqueles que possuem traços tanto dos introvertidos quanto dos extrovertidos, o que é maravilhoso, afinal num mundo dual, em que tudo é isto ou aquilo, as soluções alternativas merecem ser brindadas.
Quando comecei a escrever poemas e histórias me considerava irremediavelmente introvertido, do tipo que jamais conseguiria transpassar a si próprio e estava destinado a um tipo diferente de solidão, daquelas que mesmo estando rodeado de pessoas ainda sente-se só. O meu fascínio inicial pela literatura é que nela encontrei uma estrada de mão dupla, na qual poderia me comunicar através de produções textuais e expandir o meu isolado mundo interno, lia muito desde pequeno e daí por diante os livros só tenderam a engrossar.
Passaram-se três ou talvez quatro (na via das dúvidas ficamos nos três e meio) anos desde que comecei a escrever, e hoje eu já não sou um introvertido convicto, confesso que me descreveria como ambivertido e esta minha maior desinibição foi graças a escrita.
Não pensem que eu sou todo “sorrisos e biscoitos de chocolate”, eu continuo relativamente amargo, um pouco rabugento mas tenho esporádicos ataques de sociabilidade e até mesmo de doçura (estes um pouco mais raros), e a razão é: eu percebi que preciso falar com as pessoas, conhecê-las para saber se elas se parecem comigo, saber o que sinto realmente sinto a respeito delas, não dá pra olhar para alguém e presumir que se conhece o íntimo desta pessoa.
Tenho hoje um apreço enorme pelo alternativo, pelas soluções inusitadas, pelas pessoas que jamais cogitei admirar até poucos anos atrás. Arrependo-me de não ter despertado uma maior consciência sobre mim mesmo previamente, mas ainda assim me animo, afinal diante de um futuro vasto, diante de todas as possibilidades que rodeiam a nossa geração, quem poderia desanimar-se?

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