15 de março de 2015

Saiu...

 Escrevi este poema pensando em alguém que não conheço, alguém que passa os dias a contemplar o espelho e que se rodeia de devaneios, que faz castelos no ar com suas memórias e ocasionalmente chora pensando em tudo aquilo que poderia ser e não foi.
Às vezes tenho medo de me tornar este alguém, que remói as possibilidades, que nunca digere os maus momentos, apenas regugita para sofrer mais e mais. É óbvio que todos temos períodos de sofrimento, uns mais curtos do que os outros, somos diversos, mas insistir no erro, na dor já é patológico.
Este poema é um pedido aos que sofrem pela opressão dos futuros alternativos ou pelo medo de arriscar. Saiam! Não hesitem em fazer o que desejam, não o que esperam de vocês, mas o que realmente desejam, tudo aquilo que existia nos seus castelos de ar, na dúvida tornem-se espontâneos, imprevisíveis, descubram os seus próprios jeitos de ser verdadeiramente livres, tudo é válido para não cair no vale das possibilidades, onde tudo é apenas dor e saudade...

Saiu

Saiu
Pra nunca mais voltar?
Não se sabe ao certo
Apenas Saiu

Sumiu
E o fez sem pressa
Arrumou as malas, varreu o chão da sala
Guardou as travessas

Tirou a saia lápis do armário e contornou o corpo
Derrapou nas curvas de sua cintura
Não havia mais mofo
E muito menos o belo moço de seus vinte e poucos

Saiu
Foi ver o mar
Foi ver a dança das águas retrógradas e fluentes
Foi sentir a brisa, a areia em seus pés, o sol em sei rosto

Ruiu
A casa de paredes rachadas, descamadas
E com o chão de madeira ruidenta
Antiquada demais, sem os devidos cuidados, desabou

Não viu os escombros
Nem recebeu a notícia
Sabia que a casa estava condenada assim que foi embora
Talvez volte, para construir uma nova, ou nem se lembre de onde morou

Rugiu
Para o mundo inteiro que era livre
De que não era mais triste
De que tinha saído, e que não se preocupava em demorar

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.

Seguimores