11 de março de 2015

Barulho!


"O racismo tornou-se muito mais clandestino, muito mais implícito, uma espécie de fenômeno, mas ao mesmo tempo talvez tenha se tornado muito pior do que um dia foi."

Angela Davis

A foto acima é de uma das mulheres que idolatro, Angela Davis. O poema abaixo foi inspirado em algumas suas causas, a questão racial e a questão feminista...Na verdade não é especificamente sobre estas causas, mas engloba um sentimento compartilhado e algumas situações vivenciadas repetidamente por nós, minoritários, os silenciamentos e o constante sentimento de impotência.
Eu bem sei quantas vezes tentei debater questões raciais com amigos brancos e fui silenciado com o simples argumento as nossas diferenças não existem, somos todos virtualmente iguais perante a lei e é isso que importa.
Mas voltando a Angela Davis, estou apaixonado por sua história: uma mulher jovem, apaixonada por suas causas, integrante dos lendários "Panteras Negras" e que ousou criticar a sociedade machista e racista em que vivia, como não amar?
Eu estou trabalhando na tradução de uma de suas entrevistas, eu achei bastante interessante e resolvi compartilhar.
Além de tudo é importante mantermos vivas as discussões acerca das problemáticas, e para mim é triste assistir uma entrevista dos anos setenta e perceber quão atuais as pautas soam, mais de quarenta anos depois e as coisas mal parecem ter mudado. Por isso digo e repito: movimentos de resistência minoritária são mais importantes do que nunca.
A entrevista vai demorar um tempinho pra sair (não me arrisco a estipular um prazo) mas o poema vocês conferem a seguir.

Barulho

Não me cale
Não diga que eu não mereço
Não estipule o meu preço
Quem é você para dizer o meu lugar?

Eu não pertenço a quem tenta me fazer pertencer
E por mais que às vezes eu chegue perto de ceder...
Eu nunca o faço
E aí vem você com um laço tentando me enforcar
Me fazer morto antes mesmo de Inês...

Eu quero fazer barulho, quero gritar!
Fazer-te ajoelhar perante a mim, a nós
Te ensinar o quão poderoso é um grito de socorro
Um pedido, traduzido em uma maré libertadora

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