10 de fevereiro de 2015

Yo Soy Sola: Todo Relacionamento Está Fadado à Decepção

A princípio "Yo Soy Sola" me parecia apenas mais uma comédia romântica boba, já tinha lido sua sinopse incontáveis vezes, mas nunca me interessado, resolvi dar uma chance e não me arrependi.
Diferentemente do que se pode pensar ao julgar o filme pelo título, ele não é essencialmente sobre pessoas solitárias, mas sim sobre relacionamentos, paixões, expectativas e decepções. Transita desde a paixão platônica até o altar exibindo todos os problemas dessa coisa que insistimos em sentir chamada paixão.
A história é sobre quatro amigas e seus respectivos relacionamentos, porém cada um deles é exibido de forma desconectada (apenas o último "capítulo" conecta todos).
O que é muito legal do filme é o caráter reflexivo e como fazemos as reflexões propostas quase que involuntariamente, por exemplo, na primeira história rola uma briga entre a protagonista e o namorado, com quem vive junto, e ele fala tantos absurdos, compartilha tantas demandas que eu pensei "depois de ser tratado como se praticamente não fosse o suficiente eu arrumaria a minha mala de noite e iria embora de manhã", a personagem foi um pouco diferente de mim, engoliu todas as ofensas à seco e resolveu tentar agradar, tentar ser o que ele queria, mas no fim não conseguiu, estava infeliz. 
 A segunda era apaixonada por um apresentador de televisão, tão obcecada que o perseguia e vivia sonhando com o dia em que viveriam uma vida de contos de fada. De tão cega pela paixão platônica fechou-se para os pretendentes reais, para os despretensiosos encontros que de tão despreocupados acabam tornando-se gigantescos. Certa vez foi a uma festa em que o tal apresentador estava (obviamente não era mera coincidência), aproximou-se do bar e começou a conversar. Alguns drinks depois e as coisas esquentaram porém ela acaba decepcionando com uma coisa que acontece, o homem que havia idealizado não existia, era torto e teatro, um holograma televisivo, programado para encantar não para sustentar (expectativas).
O terceiro caso é, na minha opinião, o mais "forte", ou talvez o que eu mais tenha me identificado. A protagonista é uma mulher sombria, introspectiva e que deseja desesperadamente formar uma família, namora um homem há um certo tempo mas nunca fizeram planos para ter filhos, em conjunto, porque individualmente ela já havia iniciado um tratamento de fertilização para ter seu filho, em segredo. Conta para uma amiga que está grávida e fala sobre o tratamento, esta não esconde o espanto e a recrimina de forma velada, a parabeniza superficialmente, mas amizades jamais serão tão complexas quanto relacionamentos amorosos, e quando ela conta ao seu namorado, ao homem que até pouco tempo atrás declarava juras de amor perfeito, ele demonstra contradição (por mera formalidade) e depois foge, e pela porta da frente! (as piores fugas são as que temos que assistir), abandonar alguém em plena luz do dia é puramente sadismo, nada além disso.
 O último interliga todas as histórias, neste capítulo a protagonista sonha em casar-se desde que era pequena, e nesta grande obsessão sobre o casamento acaba esquecendo do noivo, de lhe dar atenção, ouvi-lo ou até mesmo fazer qualquer outra coisa que não envolvesse o casamento (quantas vezes já vimos o mesmo clichê em filmes sobre noivas?). Tudo parecia ir bem, o dia do casamento chega, as amigas estão reunidos, nada poderia dar errado até que [...].
Deixarei que assistam para que descubram tudo o que omiti neste texto e a conclusão deste filme (que não é tão boa, mas ainda assim é uma conclusão). Não é um filme brilhante, mas é extremamente subestimado, fiquei muito surpreso ao ver notas tão baixas no IMDB e Rotten Tomatoes, aparentemente as pessoas não gostam mais de dramédias românticas. Um filme que não recorre ao humor óbvio, que recorre aos clichês algumas vezes (mas quem nunca recorre não é mesmo?), mas que acima de tudo não se importa em dar finais felizes, apenas finais reais, mostrar que a realidade está além do que se sonha quando se é criança, quando se apaixona ou quando se quer algo mas não está necessariamente tão distante.


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