31 de dezembro de 2014

Desaprendendo a Sentir



Sinto saudades de quando não sentia saudades
Sinto vontade de abandonar a tudo até a mim mesmo
Não como um ultimato, talvez férias, mas não posso atender às minhas vontades
Não posso me esquecer, te esquecer, sair a esmo...

Você pergunta-me a razão
Mas quem ousaria justificar a razão do coração
As correntes que você costumava me envolver 
Hoje só servem para me sufocar, ninguém virá me salvar

Tento fugir, respirar, longe de ti
Vou me ajudar caminhando por aí
Mas puxa-me violência
A virulência dos teus braços impede-me de florescer

Largou-me no outono
Morto como as folhas
Entregou-me ao último sono
Sem dar-me muita escolha

Brilhou posto que era brasa
Mas apagou-se pelo mesmo
Resgatou meu corpo da lava
Nunca me dando sossego

Deu-se até ao trabalho de
Exumar o coração póstumo
Novamente deixar-lhe em frangalhos
Imortalizar mais um em sua colcha de retalhos 

Cansado de morrer
Exonerei-me do exercício de sentir
Foquei-me somente na concretização do fazer
Desaprendi a mentir (para mim principalmente)

As areias da memória
Foram consumidas pelo voraz rio da emoção
Só consolidou-se como minha história
Aquilo que não violentaria o meu coração

Pedro

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