O Medo da Solidão Está te Impedindo de Ser Livre
Você se apega tanto a tanta gente, dá extremo valor às primeiras impressões. Diz que não, mas acredita em amor à primeira vista e ocasionalmente encharca o travesseiro com lágrimas infindáveis. Você nunca sabe o porquê, você diz que procurou saber, mas nunca o fez, você tem medo da verdade, não por ser fraco, mas por sentir medo, em sua mais pura forma. Como eu sei disso? Eu sou você, você é eu, nós somos eles e eles são aqueles eternos homens, mulheres e não-binários desesperadamente assombrados pela ideia de permanecerem sós.
Pode parecer pretensioso, falar por vocês, mas eu, nós, nunca fomos fixos, estáveis, nunca fomos uni, sempre multi, poli, sempre aleatórios, e quando se é tão inconstante só restam duas opções: Ou arranja-se um grupo tão inconstante quanto, que por ter um ego inflado demais e orgulhar-se tanto de sua imprevisibilidade, de seu ar vanguardista, jamais se reconhecerá como grupo, ou permanece-se só. Bem, na verdade não é solidão absoluta, é parcial.
Quando se tem personalidades, aparências, atitudes múltiplas, a solidão absoluta é improvável, ainda assim não é impossível. O meu, o nosso problema, é que no passado procuramos alguém para que nós tornássemos mais estáveis, mais normais, mais comuns, o maior erro do nosso coletivo é buscar a estabilidade através dos outros, buscar a estabilidade em si já é um pecado. Não é como se todos devessem ser loucos, não são loucos, muitos perpassam a tênue linha entre loucura e razão, mas ainda assim continuam sãos (eu acho). O que acontece é que a busca da tal "estabilidade" implica na supressão da personalidade, no sufocamento do indivíduo através do outro.
É por isso que os seus, os nossos relacionamentos não duraram, não buscávamos companhias, mas sim antidepressivos, antipsicóticos, drogas humanas para que o peso de nossas personalidades não nos machucasse tanto.
Relacionamentos divididos entre boias e náufragos jamais funcionaram, a vítima do naufrágio pode até emergir, passar um tempo na superfície junto à boia, mas eventualmente os dois se separarão, talvez apareça um navio estrangeiro e a vítima abandone a boia, ou talvez ela acabe morrendo em alto mar. O destino menos trágico é a chegada a alguma praia deserta, a vítima tentaria sobreviver por conta própria e esqueceria da boia, que talvez fosse arrastada pelas marés e carregada para alto mar ou pior, ficasse ali, vendo sua antiga companhia viver por conta própria.
A independência sempre é amarga, e, ocasionalmente, trágica.
Relacionamentos divididos entre boias e náufragos jamais funcionaram, a vítima do naufrágio pode até emergir, passar um tempo na superfície junto à boia, mas eventualmente os dois se separarão, talvez apareça um navio estrangeiro e a vítima abandone a boia, ou talvez ela acabe morrendo em alto mar. O destino menos trágico é a chegada a alguma praia deserta, a vítima tentaria sobreviver por conta própria e esqueceria da boia, que talvez fosse arrastada pelas marés e carregada para alto mar ou pior, ficasse ali, vendo sua antiga companhia viver por conta própria.
A independência sempre é amarga, e, ocasionalmente, trágica.
Preciso, precisamos, parar de tentar buscar a redenção através dos outros, não há nada que nos precisemos redimir, muito pelo contrário, vivemos em dias repletos de normatividade, a imposição do que devemos ser, de quando devemos sê-lo e o que devemos sentir. São em dias como os que vivemos que manter-se firme à sua identidade, à sua personalidade é um ato revolucionário, e somente as revoluções tem o poder de nos libertar.


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