26 de maio de 2015

Notívaga


 Notívaga

O meu nome é tão postiço quanto os meus cílios
Os meus olhos não têm o mesmo brilho que o dos meus filhos
A minha identidade é um lampejo do que um dia fora beleza
O meu coração é o anseio por um futuro melhor

O meu espírito foi obliterado pela noite
Uma parte morreu pelo açoite da solidão
A outra sucumbiu ao inevitável marasmo
Vez ou outra tenho espasmos de personalidade (nada muito promissor)

Na noite encontrei também um certo conforto
Me senti acolhida entre os absortos pelo mistério
Distraída do fato de que naquele dia, Deus não nos salvou
De que nos condenou à solidão das metrópoles, à crueldade do concreto

O asfalto atesta o meu exílio
Me sinto só nas ruas
Apesar de tantas dezenas em meu auxílio
Já passa das três e estamos nas calçadas, nuas

Eu sou o produto do pior de mim com o pior deles
Eu sou a sexualidade fluída nos estacionamentos
Eu sou os detrimentos de Vênus
Eu sou uma revolução. Silenciosa, sexual, grandiosa e terrível

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