31 de janeiro de 2015

Dica do dia: 52 Tuesdays

Zapeando numa sexta-feira à noite um filme me chama atenção, tinha pessoas confusas, perdidas, os tipos de personagens que inevitavelmente me atraem. Não assisti ao filme do começo e ainda não tive tempo para assisti-lo por completo, mas achei importante falar (mesmo que brevemente) dele.
52 Tuesdays é um filme que fala sobre o amadurecimento de uma jovem de 16 anos mediante a relação complicada com os pais separados e o distanciamento da mãe, que após ter decidido assumir-se como homem trans fala que precisa de um tempo e combina com a filha de vê-la apenas uma terça feira por semana (daí o nome do filme, todo o enredo acontece em terças-feiras distintas). 
O legal deste filme é, como disse anteriormente, a confusão. Mostrar como nada é fácil para ninguém, nem Billie, a adolescente, que lida com suas emoções, com o distanciamento da mãe e os lapsos de atenção do pai, nem para James, a mãe, que não sabe como se conectar com a filha, ou como lidar com as frustrações que passa em seu tratamento de transição, nem para o pai, Tom, que não sabe com ajudar Billie ou James.
Além das pequenas (e gigantescas) confusões, pães com manteiga do século XXI, o filme também traz a visibilidade trans, a mãe, James que é interpretada por Del Herbert-Jane, um homem transgênero que originalmente foi contratado como consultor para assuntos relacionados a questões de gênero e acabou tendo um papel no filme.
Por ser um filme recente, lançado em maio do ano passado, e um tanto quanto "alternativo" não tem tantas informações a seu respeito, mas pelo que pude ler em alguns artigos, os atores não são famosos, ou necessariamente profissionais, o pai, Tom, é interpretado pelo skatista Beau Travis Williams, o que me surpreendeu, uma vez que achei todos os atores muito bons (destacaria Tilda Cobham-Hervey e Del Herbert-Jane, que interpretam Billie e James, respectivamente).
Transições distintas, mas ainda assim desafiadoras. A busca por novas sensações, por sentir tudo aquilo que adolescentes tendem a romantizar, coisas que nem sempre são tão boas, mas que são rodeadas por tantas expectativas que nunca conseguem nos satisfazer, este é o dilema de Billie, satisfazer o vazio deixado pela esperança. E quanto a James é a busca pelo que foi idealizado, internalizado e que na prática não acontece tão facilmente ou do jeito exato que foi imaginado, a busca por seu sonho, que mesmo um tanto quanto distorcido ainda está ali. Exemplo disto é em dado momento do filme em que ele tem que interromper o tratamento com testosterona em função de uma reação alérgica, e é visível a raiva, a melancolia, um mix de sentimentos negativos em seu rosto, sua reação não é nenhum exagero, afinal há uma expectativa tão grande para acabar com toda a transição e se tornar a pessoa que se sonha que quando qualquer obstáculo aparece neste caminho é extremamente desmotivador.
Um filme ótimo para desconstruir preconceitos, para se ter mais empatia, fazer algumas reflexões essenciais sobre o que é ser jovem, o que é amadurecer e o que é transitar.

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