Você já parou para observar as flores hoje?
Será que você já parou para observar as flores hoje? Não contam olhares apressados, acidentais ou até mesmo aqueles longos olhares fixos que na verdade não significam nada, afinal nossas mentes costumam estar bem distantes do ponto de foco.
Quando lhe pergunto se já parou para olhar as flores, também lhe questiono se estas não lhe despertam curiosidade, afinal teriam as flores tornado-se tão monótonas, tão comuns que não são dignas de poucos minutos do seu dia?
Compreendo que a grande maioria de nós vive em cidades que privilegiam o concreto, "glamourificam" o impenetrável progresso, a opulência das cidades, coroando seu estilo com arranha-céus tão altos que aqueles que ousassem mirar seus topos seriam cegados como castigo por tentar mudar seu ângulo de visão, e ainda por cima direcionado ao topo.
Algumas flores ousadas alcançam o nível de visão comum a todos. Em um ato desesperado tentam forçar com que as pessoas as vejam, as reconheçam, porém mal sabem as flores que em nosso tempo visualizar não significa absolutamente nada, a flor é tão visualizada, tão irrelevante, quanto a mensagem do(a) ex-namorado(a) que ficou bêbado e pede desesperadamente para voltar. Visualizada, apagada, vivemos a cultura do instantâneo. E não a critico por completo, é bela e cômoda, porém nos priva de belezas primordiais. Quantas flores você poderia ter visto enquanto curtia a foto daquela pessoa que você odeia?
Ainda estamos falando de flores? Sim, estamos falando das flores e de como elas precisam de atenção, como precisam ser elogiadas, afinal todos sabemos da vaidade das flores, as egocêntricas rosas, as tímidas orquídeas, os dramáticos copos-de-leite, todas elas com suas necessidades especiais disputam a sua atenção desesperadamente.
Eu particularmente adoro todas as flores com exceção das magnólias, invejo as magnólias desde Machado de Assis:
"Cresci; e nisso é que a família não interveio; cresci naturalmente, como crescem as magnólias e os gatos."
Memórias Póstumas de Brás Cubas
Acredito que a noção de liberdade atribuída às magnólias já não cabe mais neste século, já não cabe mais neste mundo, acho que as magnólias morreram em 1984, que não foi necessariamente em 1984, mas que aconteceu sem que percebêssemos, gradualmente depois subitamente.
A ideia de liberdade concebida por Machado já não existe mais, e como poderia? Temos parâmetros para tudo, guias para todo lado, números, rótulos, tabelas. A idade do descobrimento, das magnólias já passou e dificilmente voltará. Acho que por isso desgosto das magnólias, me trazem saudades do que se foi perdido e nunca mais será o mesmo.
A ideia de liberdade concebida por Machado já não existe mais, e como poderia? Temos parâmetros para tudo, guias para todo lado, números, rótulos, tabelas. A idade do descobrimento, das magnólias já passou e dificilmente voltará. Acho que por isso desgosto das magnólias, me trazem saudades do que se foi perdido e nunca mais será o mesmo.
Mas eu tento não penso nas magnólias, melancólicas demais, poéticas demais, a liberdade nunca pareceu tão entediante...Quero falar de rosas! Tudo bem, sei que são clichê, mas caso não tenham notado o nome deste blog é um assunto bem comum por aqui, o clichê.
Eu me sinto inapto a julgar rosas, afinal nós crescemos com esta associação de flores e romantismo, tendo a rosa como protagonista.
É difícil para mim criticar o romantismo, lá no fundo (bem fundo) adoro o romantismo, não poderia atacá-lo como fiz com as magnólias, não seria justo.
É difícil para mim criticar o romantismo, lá no fundo (bem fundo) adoro o romantismo, não poderia atacá-lo como fiz com as magnólias, não seria justo.
É uma manhã de domingo, bem cedo, precisamente 07:08, enquanto escrevo este artigo, então tenham paciência caso eu pareça um pouco incoerente, pensei sobre este texto a semana toda, não no formato ou em metáforas, mas na ideia, e precisava colocá-lo (ou pelo menos tentar) aqui.
Caso você tenha lido até aqui presumo que tenha tempo para falar das orquídeas. Não falo daquelas da Amazônia, mas das orquídeas de estufa, que crescem amarradas, podadas regularmente, controladas, as reprimidas orquídeas, as introvertidas orquídeas, que só ousam soltar seu perfume durante a noite, quando ninguém está olhando, quando ninguém pode vê-las ser magnificas por algo além de sua beleza.
Compra-se orquídeas pela mesma razão que compra-se rosas e vice versa, uma forma mais opulenta de ser romântico, um neo-clichê dos apaixonados.
Adoro as orquídeas, adoro vê-las, sentir seu aroma, porém as trocaria por uma única rosa de uma pessoa especial (meloso demais? Vou arriscar...).
Compra-se orquídeas pela mesma razão que compra-se rosas e vice versa, uma forma mais opulenta de ser romântico, um neo-clichê dos apaixonados.
Adoro as orquídeas, adoro vê-las, sentir seu aroma, porém as trocaria por uma única rosa de uma pessoa especial (meloso demais? Vou arriscar...).
As flores continuam as mesmas, nós é que mudamos, nós é que deixamos de nos importar. A beleza em nossos olhos é poente e extremamente seletiva, chega a ser esnobe, chega a ser ambiciosa, visa entender as complexidades do mundo, as belezas exóticas, sujas, alternativas, sem ao menos passar pela mais simples das beleza, a das flores.
Novamente lhe pergunto, você já parou para observar as flores hoje?
Novamente lhe pergunto, você já parou para observar as flores hoje?


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