Tomboy: A Transgeneridade e a Infância
É comum ouvir homens e mulheres trans alegarem que nunca identificaram-se com o gênero que lhes era atribuído, que sentiam-se desconfortáveis com o comportamento que esperava-se deles. Em "Tomboy" vê-se este desconforto, este deslocamento, o medo de não ser aceito pela maioria, de ser perseguido, a dificuldade dos pais e da própria Laure de lidar com a transgeneridade.
No filme, Laure muda-se com a família para uma nova vizinhança, passa alguns dias dentro de casa, porém certa vez avista um grupo de garotos brincando e decide descer para se socializar. Chegando lá não encontra mais o grupo, porém encontra uma garota que se apresenta, e logo após pergunta-lhe o nome, Laure responde: Mikael, e assim inicia-se a trama.
O filme surpreende por tratar com tamanha leveza um tema que em filmes costuma seguir vias caricatas ou trágicas, Laure é apresentado pela garota que conhecera aos garotos que observara previamente da janela de sua nova casa, e começa a brincar com os outros sendo visto e tratado como garoto.
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| "Eu tenho um irmão mais velho, o que é muito melhor." |
Paralelamente a trama também trata da relação de Laure com a família. A mãe que mesmo bem-intencionada acaba preferindo ignorar a questão de gênero do que tratar com a filha, o pai que aparenta não se preocupar tanto e a irmã, Jeanne, que é siplesmente uma das melhores personagens do filme por mostrar que nós nascemos tolerantes à diversidade.
Intolerância e ódio são construídos a partir de uma série de fatores, visto que a família de Laure não é odiosa ou intolerante ela pôde crescer e se permitir descobrir a si mesmo sem medos, e Jeanne pôde amar e apoiar incondicionalmente o irmão independentemente de seu gênero ou sexualidade.
Intolerância e ódio são construídos a partir de uma série de fatores, visto que a família de Laure não é odiosa ou intolerante ela pôde crescer e se permitir descobrir a si mesmo sem medos, e Jeanne pôde amar e apoiar incondicionalmente o irmão independentemente de seu gênero ou sexualidade.
Em uma das cenas Jeanne pergunta a uma amiga "Você tem um irmão ou uma irmã" e ela responde "Uma irmã mais velha", Jeanne responde cheia de orgulho "Eu tenho um irmão mais velho, o que é muito melhor", as cenas com ela são as minhas favoritas.
Independendo de gênero, estamos falando pré-adolescentes e obviamente não poderia faltar o primeiro amor nessa história. A garota que Laure inicialmente conheceu começa a se apaixonar por ele acreditando que a mesma fosse um garoto cis e com o passar do tempo esse sentimento torna-se recíproco levando até o primeiro beijo.
O final é surpreendente, não é o que eu esperava, afinal sempre espero finais de contos de fadas; mas foi um final realista, necessário e refrescante por fugir dos clichês dos filmes LGBT que terminam com protagonistas se suicidando ou profundamente infelizes.




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